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A VELHINHA ANDARILHA

A Velhinha Andarilha

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Locução: Teresa Silva

História em Língua Gestual

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Nem imaginam o que aconteceu à velhinha andarilha! Ela, que era uma verdadeira atleta, que acordava sempre antes do despertador e se punha a andar para fora da cama e que saía de casa com um pão numa mão e um copito de leite e café na outra mão, mochila às costas e sapatos de ténis, agora não anda. Está quase parada. Está em casa.
Não está doente, não se preocupem; é assim mesmo, está quase parada.
Abre a janela, deixa entrar o sol em sua casa e grita, um grito que imitava o cantar do galo da sua terra: viva mais um dia, có có có ri có.
A velhinha andarilha, cheia de genica, mesmo em casa, faz o que mais gosta na vida: andar de cá para lá e de lá para cá. Isso ela faz como mais ninguém. E só depois se senta, estafada da correria e da andança ou da andança em correrias, não sei explicar.
Anda às voltas pela casa e como a casa é pequena volta sempre ao ponto de partida. Põe-se a andar à volta da mesa, fazendo da mesa uma grande rotunda. E faz isto todos os dias. Acorda ensonada, desperta logo a seguir, enche-se de energia e anda e anda, anda e anda, anda e anda. É uma alegria.
Mas a verdade é que não saí, praticamente, do mesmo sítio.
Sempre que para um bocadinho, fala com os seus botões, que botões coloridos e grandes que usa com tanto gosto:
– Botões, botões meus, estou um bocado farta de andar e andar e andar e andar. Estou desejosa do dia em que me ponha a andar daqui para fora.
Mesmo em casa, prepara a uma mochila, com uma garrafa de água, duas sandes mistas, um casaco de malha, um rádio, uma pastilha elástica, pode apetecer-lhe – e anda pela casa como se fosse subir uma montanha, como se fosse para a beira mar fazer surf na crista da onda, como se fosse atravessar o país daqui para lá.
Se vê pó, pára para limpar. Se encontra uma aranha, pára cumprimentar. Anda e anda, anda e anda e às vezes pára, só para pensar.
– Estou preparada para todos os desafios, estou elegante, perna cheia, bem cheia de músculos e nem ao ginásio vou. E só me sento para perder tempo. Estou pronta para tudo e para enfrentar os desafios mais importantes.
É nessas alturas que agarra no telemóvel e liga aos netos.
– Oiçam lá, não me digam que estão para aí parados, sem fazer pelo menos um esforço.
– Sim avó. Também estamos em casa, sem parar um momentinho, um instante, um nadinha que seja. Há muito que fazer, mesmo que não seja a correr, a mexer, a percorrer.

Alexandre Honrado

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Vem Dançar e Cantar

De cá para lá

De cá para lá
De lá para cá
Segue assim o mundo
Se eu não estou cá

A cor dos meus olhos

Não me tiram esta cor
Que tenho nos meus olhos
Se é assim o meu amor
Eu vejo com os meus olhos

Qualquer coisinha…

Qualquer coisinha
Me sabe tão bem
Cantar na cozinha
No banho também

Voltas que se dão

Voltas que se dão
Tantas voltas que se dão
Só para se ser feliz
Aquece o coração

Guerra e Paz

Guerra e Paz

Qual o valor da terra
Se dá flor para murchar
Qual o sabor da guerra
Quando a paz se ganha a matar

25 de Abril

Liberdade

A minha voz
Tem os sonhos a girar
A minha pele
É janela colorida

Qual?

Qual é a cor
Que trazes para mim
Será que tem princípio?
Será que tem fim?

Olha para mim

Olha para mim
Que estou aqui
P´ra te cantar
Sabes mesmo assim

Dar a volta ao mundo

O que é meu
O que é teu
Já não sei
Não sei bem

Ninguém à janela

Quando olho para ti

O que é meu
O que é teu
Já não sei
Não sei bem

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